Uma mulher apaixonada é capaz de tudo, inclusive de desapaixonar-se

Eu não peço mais nada, porque, depois de cinco meses sem chegar a lugar algum, já captei a mensagem. Eu até já sabia como era difícil decidir não se importar com alguém simplesmente porque esse alguém não liga pra você, mas não dá pra desplugar o coração do objeto de interesse. Mas eu sou uma pessoa pragmática, vou fazer o possível. Então, se ele não está interessado, há outros. (Não milhares, não estou dizendo isso, mas há uma ou outra possibilidade.) Dei chance para o cara animado, mas, apesar de todo esforço – e realmente tentei gostar dele -, o máximo que conseguir foi sentir uma coceirinha.

Adaptação de um trecho de Cheio de Charme – Marian Keyes.

Porque toda mulher já levou um fora, porque toda mulher merece esquecer.

Mal acompanhada enquanto estava só [Da série: Homens que deletei]

 

1.   Aquele que me deu mais bolo do que torta na cara em Passa ou Repassa. (Com ele eu aprendi a esperar menos).

2.   Aquele que não é cheiroso. (Com ele eu confirmei que é totalmente real o comentário que ouvi de que enquanto os homens são tato e visão, nós mulheres somos audição e olfato. Um 2012 de homens cheirosos, por favor).

3.   Aquele que não conversa. (Com ele eu aprendi a arte do cala a boca e beija logo, também só aprendi isso mesmo).

4.   Aquele que só conversa. (Com ele aprendi sobre tecnologias, investimentos, carreira e vida adulta. Só não deu pra aprender uma nova língua. Ela sempre estava ocupada me ensinando coisas novas hahahaha triste fim).

5.   Aquele que mente pra impressionar. (Com ele eu aprendi o quanto é feio contar vantagens, e que um banco de couro no carro do ano não valem nada, absolutamente nada).

6.   Aquele que me chama de madame e fala errado o tempo inteiro. (Com ele eu aprendi que o ‘pobrema’ é a minha criação, que eu sou careta, mas se eu for ‘prasbaladas’ algumas vezes eu vou me soltar e ser feliz.)

7.   Aquele que se encontra na balada. (Com ele aprendi, no auge dos meus 23, sendo o primeiro com quem ‘fiquei na balada’, que uma noite de agito com beijos em desconhecido não é tão bacana quanto pintam por aí, mas foi com ele que aprendi a fugir de alguém de quem se quer distância).

8.   Aquele que eu sempre quis, finjo que não quero e sempre vou querer. (Com ele eu aprendi a desviar o olhar, a evitar encontros, a fugir do sentimento e a me conformar com destinos opostos).

9.   Aquele que mora longe ou que por algum outro motivo esteja totalmente distante de mim. (Com ele eu aprendi a fazer um plano bacana para o celular, a contar dias, noites e horas para sua chegada, aprendi sobre mapas e hotéis do Nordeste e acima de tudo, aprendi que paixão a distância dói). Alguém tira ele daqui, por favor, o delete não está funcionando.

Para com isso, mulher!

Vamos confessar, mulherada. Estamos distante de ser plenamente satisfeitas. Somos, sim, rainhas em reclamações, lamentações e pequenos draminhas de vida que nos deram o título de “para sempre insatisfeitas”. Tudo bem que as moças de cabelos cacheados desejam os fios lisos, e que as possuidoras de cabelos lisos queriam mais volume. As magrelas desejam engordar com facilidade e as cheinhas vivem lutando contra a balança. É uma contradição permanente. Mulheres: nem a gente entende.

A pergunta é: Se cada mulher possui uma beleza ímpar. Defeitos e qualidades que nos diferem umas das outras, porque estamos sempre nos comparando e desejando o “jardim do vizinho”? Esse papo tipo livro de autoajuda não é novidade, mas é sempre bom trazê-lo a tona quando vemos que um número absurdo de mulheres, simplesmente, não se aceitam ou se amam. Vamos apreciar uma
abordagem inteligente e bem humorada do talentoso Luíz Fernando Veríssimo, que traz uma lição maravilhosa às mulheres que passam a vida toda buscando um estado de plenitude ou perfeição que não existe. Vamos viver, meninas?

CRONOBIOGRAMA FEMININO

1 aos 5 anos:  A mulher não tem a mínima idéia do que ela seja

5 aos 10 anos: Sabe que é diferente dos meninos, mas não entende porquê.

10 aos 15 anos: Sabe exatamente por que é diferente, e começa a tirar proveito disso.

25 aos 30 anos: Nessa fase formam 5 grupos distintos:

G1:
As que casaram por dinheiro – descobrem que dinheiro não é tudo na vida, sentem falta de uma paixão

G2: As que casaram por amor – descobrem que paixão não é tudo na vida, sentem falta do dinheiro.

G3: As que não casaram – não importa o dinheiro e a paixão, sentem falta mesmo é de um homem.

G4: As que simplesmente casaram – não entendem por que casaram.

G5: As inteligentes – descobrem que ter inteligência não é tudo na vida.

30 aos 35 anos: Sabe,  exatamente, onde errou e tinge o cabelo de loiro. Vai para academia.

35 aos 40 anos: Procura ajuda espiritual.

40 aos 45 anos: Abandona a ajuda espiritual e procura ajuda médica, com analistas e cirurgiões plásticos.

45 aos 50 anos: Graças aos cirurgiões sua bunda e barriga voltaram ao normal, seus peitos ficaram melhores do que eram e explode uma paixão pelo seu analista.

Após os 50 anos:

FINALMENTE se descobre, se aceita e começa a viver. Mas aí vem a menopausa, a osteoporose e o reumatismo e fode tudo.

Amor aos pedaços.

Era uma mulher que amava os homens e tudo que fosse masculino. Adorava martínis gelados em bares esfumaçados, dicas sobre bolsa de valores, filé mal passado, homens que pareciam com o Richard Gere e ancorar no iate clube. Gostava do mundo dos negócios e prosperou nele. Mas ela tinha outro trunfo na manga, cujo poder não entendi plenamente até me tornar uma mulher adulta. Tinha um namorado. Ele era bonito. Era rico. Era inteligente. Ele era casado. Nunca deixaria sua esposa, mas a devoção que tinha à ela nunca diminuiria. Ela seria sempre amada e estaria perpetuamente a salvo da monotonia da vida doméstica. Tinha tudo que precisava. Ou quase tudo.

Separação

 

 

Eu já estava no quinto café expresso, após esperar mais de uma hora naquela sala sombria. Um ambiente fechado e escuro, perfeita combinação para emoldurar o meu estado de espírito. Assinar os papéis de uma separação é simples. Difícil é enfrentar as doses homeopáticas de cada olhar que vinha para me ferir.

Eu não consigo traduzir como era estar ali depois de, sei lá, uns novecentos dias sendo casada. Confesso que me surpreendi com seu jeito de lord, como sempre tão discreto, exatamente como novecentos dias atrás.

Ficamos ambos parados e quietos, pensando muito. Eu, inquieta, futucando alguma coisa com cara séria. Você com punhos cerrados e apoiados na mesa olhava pra mim como se quisesse enfrentar o meu tédio e numa cena em câmera lenta gravar bem aquele primeiro encontro depois que tudo deu errado.

A verdade é que desde pequenos, somos motivados a descobrir o primeiro amor, a primeira briga, mas nunca a primeira separação. E, feliz ou infelizmente, não saber como agir nem por onde começar me excitava.

Enfim separados, seguimos. Não olhei para trás na tentativa de esquecer que seu semblante de homem ferido era culpa minha. Fui embora com a bolsa cheia de promessas para um futuro melhor e os olhos sob nova direção.

(…)

Eu traí.

 

Sabe aquele vizinho da nossa casa de praia? Pois é. Ele me penetrou. Não somente com seu membro, mas com o olhar. Ele me invadiu. Estragou nossos planos de felizes para sempre.

Meu amor, eu não quero te pedir perdão, porque não mereço. Sei que joguei tudo fora, mas não me arrependo. Desejei te trair furiosamente e a nossa história não foi suficiente pra me segurar. Eu te traí.

Agora me recupero dos tapas que você deu quando descobriu, é uma boa hora pra te dizer que foi nesse momento que te senti um homem de verdade. Quando você pegou forte nos meus pulsos, cuspiu na minha cara meias verdades e me jogou contra a parede. Meu amor, nesse momento eu senti tesão.

Devia ter reagido assim, antes. Bem antes desse momento chegar. Mostrando que também sabia berrar, gritar, rugir, enlouquecer, apertar e rasgar. Meu amor, queria que você tivesse me rasgado inteira, antes.

“Vagabunda, cala essa boca!”

Doeu quando você gritou. Doeu porque veio tarde demais. Ele já me tinha feito calar.

Falando nele, quero dizer que foi tudo uma armadilha. Os olhos, a boca, o cabelo, as costas, o pescoço, a lombar. Era tudo armadilha pra me levar à insanidade. Conseguiu. Ele me tirou de você, mas me devolveu a mim. Ele me virou de bruços, ignorou meus conceitos e passou a língua no meu passado.

Meu amor, sei que me perdi, mas devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta.

10 minutos antes do primeiro encontro.

 

O meu quarto hoje está especialmente frio, mais que o comum. É ansiedade. Estou aqui sentada, pronta. Traduzindo como é estar pronta: Os cílios pesam mais do que o comum, as sardas deram espaço a uma base mineral, lançamento que está bombando nos shoppings, coisa que não costuma me atrair, mas por ele resolvi tentar. Vai que é ele, né?

Não sei. Esses tipos com carro com cheiro de novo, feito o que saiu agora da concessionária, com banco de couro, cabelo no gel e roupa cheirosa, são do tipo que conquistam. Várias, inclusive. Devo ser uma delas, mais uma. Ou não, quem sabe. Ai, quer saber? Bateu uma preguiça de primeiro encontro.

Queria mesmo era um vigésimo sexto encontro. Usar short, chinelo, rabo de cavalo e comer qualquer passaporte por ai. Ficar rindo da boca melada dele. Não vejo a hora de chegar em casa e tirar essa roupa. Calor absurdo está fazendo. É, estava com frio há alguns minutos, mas o relógio não anda. Que demora. Levanto, sento. Como eu odeio pessoas que atrasam. Ok, não vou odiá-lo, ele não está atrasado.

Amanhã vou comprar aquele livro que vi e próxima vez que eu usar esse salto vou colocar um band-aid. Que preguiça de ir buscar um. Quarto bagunçado. Deixa eu tirar esse vestido, é melhor vestir uma calça. Nossa, agora eu suei. Ar condicionado mais alto, volume do som no médio. Cortina aberta, cama quente. Vou dormir? Como é bom me imaginar chegando em casa. Ainda nem sai.

E esse menino, hein? Será que ele tem bom papo, olha nos olhos? Enrolei pra aceitar esse encontro, mas eu vou. Aposto que ele é metido. Se vier falando difícil, vou ter qualquer ataque pra voltar pra casa. Imagina se eu não for? Ele vai me odiar, eu acho né? Ou pode ir buscar qualquer outra.

Se eu não for meu amigo me mata. Imagina! Dispensar esse partido. Eu vou. Isso é, se ele vier.

Que demora. Opa, chegou. Volto já. Ou não.

 

O prazer foi todo meu.

 

Qual a minha cor predileta? Onde passei as últimas férias? Uma fruta? Um sonho meu? O livro que estou lendo? O dia do meu aniversário? Nando Reis ou Cazuza? Tenho irmãos, irmãs? Qual o meu animal de estimação? O meu maior medo? A minha maior fantasia?

Dessas, nenhuma você saberia responder. Não merece ficar pra dormir. Não merece nem o convite para entrar. Mas troco todas as perguntas por uma só: Por que você me entende?

Não sabe nada sobre mim e desvenda mistérios que até eu desconhecia. Foi capaz e me apresentar a uma nova mulher. Capaz de enfrentar meus próprios medos e limites, desafiar a mulher que me fizeram ser desde a alfabetização, mesmo sem perguntar se era isso que eu queria.

MUITO PRAZER. Uma nova mulher. Que se permite viver desejos, que podem até ser loucos, mas são meus.

Eu não sei exatamente porque, mas você me olha. Talvez eu devesse mergulhar nos textos do Caio Frenando de Abreu para desvendar como um homem pode se embebedar dos mistérios de uma mulher. E me pergunto por que eu, se você pode ver tantas outras. Diferentes, melhores, mais simples e sem a complexidade dessa minha luta entre moral e desejo. Qualquer uma que tenha na manga todas as cartas de um bom sexo.

Minhas armas são diferentes. Era isso que você procurava?

Adorei ter te conhecido. Ter me conhecido.

4 homens para satisfazer uma mulher.

 

 

A única forma de uma mulher estar 100% satisfeita, é tendo 4 tipos de homens diferentes. São eles:

Um mais velho. Porque ele senta no sofá com ela, gasta sua aposentadoria em presentes pra ela, oferece abraços e palavras de consolo e não espera fazer sexo porque, bem, ele já desistiu dessa atividade faz tempo. Dele, a mulher obtém segurança.

Um cara feio. Esse faz qualquer coisa pela mulher: pega as crianças na escola, faz compras de última hora, lava o carro dela nos fins de semana, toma conta do cachorro quando ela viaja. Tudo que a mulher precisar ele faz porque está felicíssimo de uma mulher tão bonita dar atenção a ele. Dele, a mulher obtém tempo livre para ela mesma (já que ele faz tudo que ela precisa fazer).

O atleta sexual. Bem, vocês sabem o que se pode conseguir dele. Ele é fortão, não muito esperto, não dá pra conversar com ele, mas tem músculos saindo até da sobrancelha, e só de vê-lo, uma mulher já sabe que dá pra resolver determinados problemas de sua vida. Não é grande sacrifício pra ele, que ficará contente em satisfazer uma mulher. Sexo animal, é isso que ele vai proporcionar.

O cara gay. Alguém que vai comprar roupas com ela, que vai fazer comentários sobre o presentinho do cara mais velho, saber pra onde você mandou o cara feio ir e o que exatamente o atleta sexual fez na noite anterior. Com o cara gay, a mulher tem todo tipo de conversa do mundo.

Esses quatro homens DEVERIAM trazer a felicidade. Pondo no condicional porque, para as mulheres, felicidade nunca é certeza.

 

“Comporte-se como uma dama, pense como um homem.” Steve Harvey

Mulheres e frutas.

 

Saudades do tempo em que era inteligente dizer que “mulheres são como maçãs”. Mário Quintana não se sente feliz em saber que, hoje, mulher maçã é outra coisa. Tenho certeza.

Somos as antigas maçãs do topo da árvore, e para nos alcançar, um homem precisava ter cabeça boa.

As maçãs e demais frutas de hoje são encontradas as “pencas” e para alcançá-las basta ter cabeça (de baixo). E ela nem precisa ser boa. E me desculpem as boazonas, mas tudo que começa pela bunda, sempre vai acabar em merda.

Prevejo que as mulheres com nome de fruta, logo terão nome de motocicletas. Afinal, elas se sentem amadas só em serem montadas por seus donos.

Mulher de verdade quer um homem para se perder.

Perder a virgindade, perder a vergonha, perder a hora, perder a cabeça, perder a paciência, mas nunca perder o valor de ser mulher.

Essas, nem todo homem pode comer. É preciso um que engula. Seus medos, inseguranças, suas manias. Um homem que morda. Morda os lábios de ciúmes. Um homem que babe. Em cada detalhe do seu corpo, do seu jeito.

Um homem que devore essa mulher. Nem crua, nem nua. No ponto certo de quem admira uma mulher de verdade.

*Tati Bernardi / Gabito Nunes.

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