Eu te repudio! Eu te repudio! Eu te..

Te liberta de toda a dor, menina. 
Te livra desse peso. 
Se expõe, feito borboleta, pra esse mundo. 
Pra essa vida. – Bibiana Benites –

Aí me vejo num momento em que desabafar é tudo que preciso. E começo a conversar até com o flanelinha. Faço perguntas a mim mesma e a todas as amigas, e, quando elas não estão por perto, com a primeira pessoa que me der atenção.

_ “Será que o meu problema é mesmo sentimental?”

_ “Como assim, menina?”

_ “Ah, sei lá, pode ser hormonal, fisiológico, filosófico, cultural, religioso, químico ou ambiental… sei lá!”

_“É, ou vai ver você só precise de uma boa noite de sexo”

Ok. A dica do dia é evitar conversar sobre crises existenciais com homens, ou pelo menos com certos tipos de homem, mas o flanelinha, ainda vale. Eles são tipo manicure que você paga pra tirar cutícula, mas faz sempre a pobre de terapeuta semanal – pelo menos eu.

Não sei, viu? Eu olho pra minha tristeza, analiso minha vida… as duas coisas não combinam.

Eu recebo café na cama todos os dias. Minha saúde vai bem, não posso reclamar. Faço o que amo, apesar das dificuldades, minha família é muito abençoada e eu tenho tudo que eu preciso e quase sempre tudo que quero.

É, hoje comecei uma mudança interna. Comprei flores pra mim e me prometi não cair de novo. Minha vida é boa demais para sofrer por amor. E eu tenho muitos planos para por em dia, não dá pra perder tempo com tristeza.

Começo a escrever (sabe-se lá se amanhã as flores murcham e a tristeza chega junto), aproveito o clima bom no meu quarto, no meu coração, na minha mente… escrevo. Compro passagens, faço planos, reservas, envio e-mails.. Ouço músicas e chego a conclusão de que tem muito prematuro precisando de cuidados. Eu sou uma mulher, posso me cuidar sozinha (quase sozinha já é um bom início).

É a primeira vez, em uma semana, que a noite não me meteu medo. Que eu pensei em coisas boas e em como meu universo é equilibrado e completo. É a primeira vez que penso em você como uma não solução para o meu problema (que também é você, veja só).

Imagine a mulher mais segura, feliz e confiante que você conhece, agora pense nela chorando, um poço fundo de tristeza. Nããão. Como diria o meu assessor: “Not Business! Val, você é o tipo de mulher que não pode ter tempo pra sofrer”.

Todo mundo sofre, mas o que fazer com a dor é uma questão de escolha e a minha hoje troca de nome. Produção.

Volto a pensar nos meus livros e preparo minhas férias, com mais animação do que nos últimos cinco anos.

Não é tão simples como quando aqueles árabes, para se separar, precisavam apenas repetir três vezes a frase: “Eu te repudio!”, mas hoje eu me liberto, eu te liberto. E eu me afasto, porque não quero destruir nada de ninguém.

Hoje só quero sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar danos nem consequências, depois disso eu só vou parar de correr quando me sentir longe o suficiente. Quando estiver sozinha, inteiramente sozinha, literalmente sozinha.

Para mulheres que já viveram o luto por um homem

Se você não consegue deixar de pensar obssessivamente nele, mesmo depois de tempos e de achar que já tinha esquecido, espere mais seis meses que você se sentirá melhor.
Vá somando seis meses até esquecer. Essas coisas levam tempo.
Algum dia você vai olhar para trás, para este momento da sua vida, e pensar que época deliciosa de luto ele foi. Vai ver que estava lamentando a sua perda, e que seu coração estava despedaçado, mas que sua vida estava mudando.
Você se apaixonou por uma pessoa. Esse cara tocou um lugar do seu coração mais profundo do que você pensava que era capaz de alcançar. Em outras palavras, você foi fisgada, menina. Mas esse amor que você sentiu foi só o começo. Isso é só o amor mortal, limitado, café com leite. Espere para ver como você é capaz de amar mais profundamente do que isso. Você tem a capacidade de um dia amar o mundo inteiro.
As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdade alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo e depois vão embora. Acabou!
O problema é que você não consegue aceitar isso, que esse relacionamento tinha um prazo de validade.
Ame-o, sinta saudade dele. Mande um pouco de amor e de luz sempre que pensar nele. Depois esqueça. Você só está com medo de largar os últimos pedaços dele porque aí vai estar sozinha de verdade e você morre de medo de ficar realmente sozinha. Mas o que você precisa entender é que se você liberar todo esse espaço na sua mente que está usando agora na sua obsessão por esse cara, vai descobrir um vazio ali, um espaço aberto… uma entrada. E adivinhe o que o universo vai fazer essa entrada? Ele vai entrar… Deus vai entrar… e vai encher você com mais amor que jamais sonhou. Então pare de tapar a entrada com esse cara. Esqueça isso.
Você queria um futuro com ele? Você quer coisas demais! Você precisa parar com essa mania de querer controlar tudo. Você é uma mulher que está acostumada a conseguir o que quer da vida, e não conseguiu o que queria da vida no seu último relacionamento e isso te deixou travada. A vida não fez o que você queria dessa vez. E nada deixa uma controladora mais puta da vida do que a vida não fazer o que ela quer.
Você precisa aprender a se soltar. Senão vai ficar doente. Nunca mais vai conseguir ter uma boa noite de sono. Vai passar a vida inteira rolando de um lado para o outro, se culpando por ter sido tamanho fiasco na vida. “Qual é o meu problema?” “Como é possível eu estragar todos os meus relacionamentos?” “Por que eu sou um fracasso tão total?”
Pare de pensar assim, tire-o de sua mente e de seu coração como se arranca um band-aid usado. Deixe o buraco aberto para a luz entrar e esse vazio se preencher por um amor que realmente valha a pena.

*Texto adaptado do livro que mudou a minha forma de encarar o amor, a dor, o mundo, os sonhos e, inclusive, a Deus.

Comer, Rezar e Amar.

“Todo carnaval tem seu fim”

Teoricamente, a nova pilha de livros recém-chegadas pelo Sedex deveria me ajudar a não pensar em você, mas, no primeiro capítulo de qualquer um deles, percebo que só serviam pra me lembrar de você.

Volto a ler Milan Kundera, mas as elegantes cenas de sexo ali descritas me fazem questionar aonde guardei a mulher que, sofrendo por amor, deveria ser discreta e manter as emoções escondidas. É, talvez eu nunca tenha sido essa mulher. É bem por isso que meu celular tocou hoje, porque meio mundo sabe que eu voltei a doer de amor por você.

Quando eu fui à Argentina, aprendi que, no tango, você só pode ter uma parceira para toda a vida. Aquela que vai dançar com como se flutuasse em seus braços.  E eu preciso me conformar que não foi comigo que você dançou.

O que aconteceu com aquelas mensagens que você mandava? É tão mais fácil quando você parece me querer.

E a minha mente vaga pelas possibilidades infinitas do que você sente. Coisa boba, por mim você não sente nada. Mas coração não quer me ouvir, já disse tanto pra não te querer. Mas ele te queria. Agora. Metade de mim sabe que não devo, mas a outra metade tem dificuldades em arrumar outra alternativa. Escrevo.

Desculpa por eu não permanecer quietinha, mas não sou aquele tipo de pessoa que se distancia da emoção pra não entrar em contato com a dor. Quem varre o sentimento pra debaixo do tapete, pode, um dia, tropeçar nele. Ainda prefiro que você saiba do meu amor, mesmo que ele não mude o futuro das próximas páginas.

‘Que sopre esse vento, que deve levar embora, memórias e cansaços.’ [Caio F.]

Posso até me acostumar e deixar você fugir

“Qualquer abandono exige coragem. Qualquer fuga tira um pedaço de nós que não volta. É preciso força até para desistir” VerônicaH

Há momentos na vida de uma mulher em que ela precisa enfrentar uma batalha quase impossível. Esquecer alguém que não a ama. Deixar tudo de lado e virar a página. Achei que estivesse acontecendo comigo, mas aquele não era um desses momentos.

É uma escolha difícil para alguém como eu, que não suporta mais sentir esse vazio, mas que, simplesmente não consegue sair. Quando eu penso que você  faz parte do passado, eu me deparo com esse sorriso que me desmonta inteira, que me despedaça. Como eu odeio amar esse sorriso torto.

Passei tanto tempo me protegendo. Prometi não me envolver, não me apaixonar, não desejar e, principalmente, não implorar. Cá estou. Chorando como se lágrimas fossem m elevar até você.

E o amor que parecia ser um porto seguro, a salvação de todas as histórias. O ator principal de todas as músicas ao redor do mundo, hoje me parece um local escuro e inseguro. Sinto medo do amor e do que ele pode fazer comigo.

Talvez o amor não seja confortável como um dia na praia, talvez seja doloroso e difícil como todas as outras coisas, mas onde estão os bônus? Foram só aqueles encontros, os que me tiraram do rumo, os que me colocaram frente a frente com o melhor de mim, o melhor de você? É só isso? Não. Não pode ser. Eu passei horas me convencendo de que não seria tão mal assim. Tentar. O que custava? Custou meu equilíbrio. Minha paz. Agora eu sei que tudo foi um elaborado autoengano. Eu não estava me abrindo para um relacionamento. Na verdade, não estava aberta a nenhum relacionamento. Eu não estava fugindo de relacionamentos? De que me servem todas as lições que aprendi se quando preciso não estou preparada pra elas?

“Vá, busque o amor, faça amor”, me mandam estar sempre aberta ao amor. Mas você fechou as portas pra mim. Ninguém sabe, nem eu.

Obrigada por ao menos ter sorrido pra mim, ontem. Seu sorriso foi como um brinde, um fatiador de batatas que você ganha ao comprar um conjunto de facas. Talvez eu mereça mesmo um brinde por amar a pessoa errada. Prêmio de consolação.

“Dava tudo por amor / Eu vim de longe / Dava pra sentir / Você dançando só pra mim…” 

O começo do fim

Reencontrar você é o tipo de acontecimento que me deixa indecentemente feliz. Eu mereço até um prêmio por ontem. Ainda não sei bem se mereço porque consegui não te sequestrar ou por não ter te esbofeteado, como você, de verdade, merece. Eu nem sei mais o que você merece.

Reencontrar você foi um misto de dor e prazer. É bem isso que você significa, sempre, mas dizem mesmo que os dois andam juntos, então, estamos em casa.

Foi bom ter você mais uma vez. A última vez? “Enfim”, como diz você, incansavelmente… Foi bom e me deixou uma maravilhosa dor-de-cotovelo. Essa dor eu curto, você sabe, ela me ajuda a produzir. O problema em te encontrar é tomar uma dose de você e voltar pra casa sem uma gota de interesse por outros homens. Maldito. Não bastava me trazer dor, tinha que me fechar o coração desse jeito?

O que eu queria mesmo era desejar a presença masculina como uma forma de cura. Outro homem pra me curar de você. Mas eu já saí dessa. Nada de magoar coraçõezinhos enquanto você ainda é meu pensamento pela manhã e antes de dormir. A boa notícia é que meu ódio deu uma trégua de você, agora se dedica a mim, por essa mania sem graça que desenvolvi. A arte de achar defeitos. De ter medo e de me afastar de tudo que me liberta de você.

Para: Paixão Cc: ilusão Assunto: Pé no chão

Das coisas positivas que você me traz, acrescento essa capacidade de atrair atenção para nosso drama. Uma atenção solidária que toda mulher adora. Estou até pensando que essa páscoa vai ser surpreendente. Do tipo: “Olha pra essa garota carente, dê um chocolate pra ela se sentir melhor”.

Porque quanto menos você se interessa por mim, mais terapeutas de plantão eu consigo. Algumas que timidamente enviam e-mails, alguns que, sem timidez alguma, oferecem ombro amigo e aquelas mais próximas que me olham com amor disfarçado de ódio toda vez que eu digo que andei pensando em te ligar.

E em todas essas vezes, que penso em te escrever ou ligar, fico tentando descobrir quem na verdade está dizendo a verdade. Minha cabeça ou meu coração.

Ando cansada demais para refletir. Na verdade, estou cansada demais para compreender o que está acontecendo e o quanto isso pode me fazer sofrer.

Perdendo as forças, acho que e é isso. Perdendo a vontade de querer, de pedir, de implorar. Ando perdendo forças até pra escrever sobre nós. É que é sempre mais difícil escrever sobre algo que não existe.

Cuidado com o que você deseja

Consegui. No último texto conjuguei o verbo no imperativo. “Liga!” Mas no fundo eu não queria, eu não esperava, eu não acreditava mais. Eu me conformei e estava apenas vendendo minha dor como afago a qualquer pessoa que, por ventura, assim como eu, também veja beleza na dor.

Mas, para meu pavor, meu celular tocou naquela noite. E ver seu nome insistindo na tela foi como sentir voltas vertiginosas na minha cabeça.

Não. Não posso atender.

Eu devo atender, eu desejei tanto, eu provoquei. Eu vou.

Mas como é que eu posso confiar nele outra vez?

Sentia-me fraca e nauseada, eu tinha poucos segundos pra decidir entre atender ou não.

Cheguei a um estágio em que sei o quanto ele me machuca, e mesmo assim quero seguir em frente. Isso é péssimo! Atendi.

Ficamos os dois, ali, bem perto e estupidamente distantes, em silêncio profundo. Eu me encolhia na cama e me perguntava se parecia tão desesperada quanto realmente estava.

Não sei quantos segundos levou pra quebrar o silêncio com sua voz (como desejei isso), mas foi tempo suficiente pra achar que iria desmaiar, ter um ataque ou coisa parecida, mas quando ouvi sua voz, voltei a mim e vi que era tão real quanto como foi da última vez. Real e cruel.

Meu estômago dava voltas de excitação, porque sua voz tem o poder de me acalmar.  Mas minha consciência repetia: “Humilhação. Humilhação. Você implorou, ele voltou.” Repetia pra mim que você estava bem e sua felicidade se escorria no silêncio do que eu sentia. E eu sentia muito. Por mim e pelos meus sentimentos.

Voltei a experimentar esse misto de humilhação e excitação doentia. Sem conseguir me decidir se estava ou não contente com o seu telefonema.

Duas horas, dez minutos e dezoito segundos. Foi o tempo que você levou ao telefone, para destruir, naquela noite, tudo que eu vinha construindo. A distância entre você e o meu coração. Adoraria que fosse uma ponte, mas era apenas um muro. Um forte muro que evitasse que você soprasse e levasse minha estabilidade embora. Feito lobo mal que destrói a casa de palha dos três porquinhos. Resistência leviana a minha.

Passado o prazer em ouvir sua voz, veio a dor. Pra abafar e me sentir melhor, tentei pensar em uma coisa boa, mas a única coisa boa que me vem à cabeça é você. E eu me pego rodando em círculos. Sem entender como vou resolver meu problema, se ele, ainda, é a minha solução.

Os ausentes sempre nos doem

Escrevo pra você e sobre você, mas hoje os textos vieram para mim. Interessante ver que algumas pessoas, amigas ou não, têm sempre uma palavra amiga. Confesso que sempre que surge um comentário novo ou um e-mail, desejo com todas as forças que seja você, afinal, foi nesse blog que tudo começou e eu queria mesmo sentir aquele frio na barriga de novo.

No meu e-mail, algumas mensagens de leitores. Fico com medo de abrir a primeira, com a sensação de que é alguém me criticando por reclamar ou sofrer tanto por alguém que, simplesmente, não me quer. Ou outra mandando eu me animar e pensar nas crianças abandonadas, essas sim, realmente carentes. Pego uma caneca de café e sento-me confortavelmente para ler o que as pessoas que passam por esse blog estão tendo para me dizer. Clico no e-mail cujo assunto é: Permita-se. E ele começa assim:

“Tinha 38 anos quando meu marido me trocou por outra mulher, me deixou com dois filhos e todas as dificuldades que um divórcio traz. Sofri por um tempo e resolvi me dar uma segunda chance. Sou uma mulher mais segura, bonita e determinada hoje. E mesmo que os padrões culturais digam que na minha idade eu não me caso mais, permaneço feliz e confiante. Meus filhos estão crescendo conscientes do que significa separação e eu queria te dizer que nesse porão escuro e com dor, existe uma porta dos fundos. Mas para encontrá-la você precisa querer e se permitir. A surpresa que está te esperando lá fora”.

Fico por minutos longos, pensando na força dessa mulher mais velha e experiente e em como ela se importou comigo nesse momento. Talvez seja mesmo isso, só você não quer saber como estou. E eu sigo me desgastando com essa rejeição, tentando sobreviver. Nem que seja pra contar como dói.

Despedida

Hoje é o último dia que nos veremos após a decisão de que é melhor nos afastarmos de vez. E se tudo correr bem, nos encontraremos e eu voltarei pra casa com a melhor lembrança já registrada na minha curta memória de despedidas.

Ele tem um jeito irritante de dizer “pense duas vezes antes de me esquecer”, mas hoje eu não me importo. Durante cinco meses estive nessa corrida por fazer dele, além de um passado bom, um futuro feliz, mas acabei aqui, vestindo um casaco de lã em pleno verão, só pra me sentir, de alguma forma, um pouco acolhida.

De todas as nossas noites, essa foi a melhor. Quando olhava fixamente nos seus olhos e você me beijava apressado. Um casal de adolescentes matando a saudade, matando o tempo, matando o desejo, matando, enfim, aquela história torta separada por uma linha tênue entre um grande erro e um grande amor. Beijos de um casal finalmente unido. Beijos de um casal que em poucas horas será separado. Uma despedida tão afetuosa e intensa quanto dolorosa.

Agora tenho medo que as pessoas percebam que, no fundo, sou uma mulher carente e com medo, você me fez acreditar que ia mesmo cuidar de mim. Foi a sua energia que me deu fé suficiente para colocar meu ceticismo de lado e me deixar levar por esse nobre sentimento conhecido como amor. Agora foi você foi embora e não me ajuda, sequer, a te esquecer. Porque esse silêncio aí não está colaborando com nada. Liga.

“A regra é simples, como nos livros de matemática da infância: 

você pertence ou não pertence. É ciência.”

Só por hoje eu não vou tomar minha dose de você

Sabe que eu não me lembro de ter perrengado tanto assim por amor?  Talvez porque eu sempre fui a dona mandona nas minhas relações. Ditando as regras e dizendo a hora de começar e acabar. (Só a título de informação, o cara que me deixou hoje, já foi deixado por mim no passado). E parece que ele resurgiu só pra me ensinar aquela lá do “aqui se faz, aqui se paga”.

Numa hora como essas, nem sendo irmãzona do Buda, colega. Não tem solução pra essa dor. Mira na esperança e rema.

Se bem que eu não ficaria surpresa se inventassem um tipo de morfina para dor do amor. Algo que fizesse passar logo tudo isso que eu, e mais milhões de mulheres (e homens), estamos sentindo agora.

Vivemos em um século onde as pessoas quase não sentem dor – sinto muito por isso – . Não falo só por ser um clichê ambulante, uma dramática que vê beleza em lágrimas, mas porque, sem a dor, seria bem difícil sentir o alívio e a satisfação que vem logo depois que tudo passa. É bem por isso que tenho aproveitado a minha. Eu cuido bem da minha dor e a alimento muito, porque sem ela.. aaaahh, sem ela eu nem sei o que seria de mim, desse texto, desse blog, e dos meus discursos com sofreguidão.

Por isso, nem sonhando, mãe, nem sonhando vou ser mulher de uma dor só.

E eu já assumi esse posto, foi agora, depois de um pé na bunda do caraleo, que eu vi que eu estava dando uma de “olha como eu controlo meus sentimentos, bobão” e me lasquei. Tem dias que ainda acordo querendo estrangular o meu amado, mas estou me conformando em viver um momento plenitude.

Hoje eu vesti uma sainha, uma saia que não fala, que não sente, que não ama e que não é você. Uma saia que me distraiu. Só por ela eu escrevo sorrindo, sem tanta dor. Mas só por hoje esqueci de você. Amanhã guardo minha saia e começamos tudo outra vez, combinado? Hoje te coloco na estante e pego um livro bom, mas amanha acordarei pensando em você.

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