Eles passarão. Eu passarinho.

 

Quando eu tinha 13 anos, me apaixonei por um cara mais velho (o primeiro de um legado deles). Moreno, olhos marcantes e sobrancelha definida. Poucas coisas ficaram tão bem gravadas em minha memória como aquele olhar. Como todos os homens que passam por mim, esse tinha data para reaparecer, mas não achei que demoraria tanto.

10 anos. Uma década. 120 meses. Cerca de 3.650 dias ou 87.600 horas. Esse foi o tempo que dividiu nosso último olhar do sorriso que trocamos hoje. Na época, ele me disse ter 25 anos, mas hoje descobri que tinha 29. Pois é, bem mais maduro do que parecia, do que me dizia. =x Hoje, com 39, parecia assustado comigo. É, já entendi que assusto muitos homens, mas foi, no mínimo, engraçado ver de pertinho as expressões dele.

 Para resumir o reencontro…

Estou no interior onde nasci, e entre o lanche e papo com os primos, relembrei minha história com o sujeito e desejei o ver novamente. Perguntar o que aconteceu, exatamente. Desejei muito, com muita força, falei nele durante um bom tempo. E quando saímos da lanchonete, lá estava. Eu sei que em interior não é bem difícil acontecer qualquer tipo de encontro, mas prefiro acreditar na força da minha mente e como sempre consigo o que quero através dela.

Não tive a menor dúvida. Parar o carro e chamar por ele era fato. Só não sabia muito o que dizer, problema que resolvo fácil.

_Lembra de mim?

_ Não sei. Não estou conseguindo…

_ Tudo bem, afinal são 10 anos.

_Dez anos?

 _É. Há dez anos eu tinha 13, me apaixonei por você. Lembra?

_Ainda não.

 _Você foi meu primeiro beijo. (Minto, pra dramatizar) Apaixonada por um cara mais velho, até que minha família descobriu e você sumiu de mim.

 _Sério? Não lembro, juro.

 _Talvez lembre do meu avô..

 _Noooossa! Lembro. (Mão na cabeça e olhos visivelmente assustados.)

 Eu bem desconfiava que alguém tinha mandado um recado pra ele.

Incrível como não se lembrava do meu beijo, (sempre me achei tão inesquecível) mas lembrava perfeitamente do meu avô e de como ele o fez se afastar de mim temeroso. Na época, achei um exagero da minha família. Poxa, eu sabia me defender aos treze. :p E hoje eu me pergunto que audácia minha.

O ver tocando em cima de um trio e desejar que ele fosse meu. Conseguir descobrir nome e número de telefone e simplesmente ligar, como se fosse uma decisão que se faz em padaria. É esse que eu quero, embrulha pra viagem. Decisão rápida e concisa, assim como aquela de parar o carro pra falar com ele dez anos depois.

Foram 15, no máximo 20 minutos ali, em pé. Relembrando e atualizando os fatos que separaram nossas vidas.

Desculpa, pode parecer prepotência, mas não há nada que mexa mais com uma mulher do que o olhar de um homem a desejando. E eu não precisei me esforçar pra perceber. Logo surgiu o convite, e o pedido pelo número do meu telefone.

 _Não vamos mexer mais com isso. Eu nunca estou por aqui, nem você por lá, nem assunto temos

. _Eu não quero perder contato com você. Foi tão.. tão diferente te encontrar.

(E o ego nem pede licença pra inflar)

Hesito em dar o número correto. Não quero que ele me ligue, mas optei por não mentir. Ele liga  na mesma hora, pra garantir, não sei o que, mas parecia se sentir mais seguro agora.

Consigo perceber os fios grisalhos escapando. Nossa, ele já tem 39 anos. Não mudou muita coisa. E eu com 23, cheia de novas histórias de amor mal resolvidas. Desculpa, mas se tem uma coisa que não posso prometer é que algum homem seja marcante e exclusivo na minha vida. Porque tudo que vem, incrivelmente se torna novela. (…)

Recuso o convite. Nos despedimos carinhosamente. Entro no carro. (gritinhos atônitos das primas que nunca acreditam na minha capacidade – ou loucura – de trazer sempre um passado à tona.)

Apresso-me em contar. Rimos.

Agora estou na fazenda. Escuro e silêncio.. escrevo sem ler, sem pensar, sem poetizar. Imagino minhas amigas ouvindo com atenção mais uma das minhas histórias de amores passados. Não é um texto para o blog, é um desabafo. Público, mas é.

O celular toca. Decido não atender.

Uma das coisas que aprendi no último curso de Redação que fiz, foi que se eu souber o que não devo escrever, já é um grande passo pra escrever bem. Achei interessante, resolvi adotar em outros sentidos.

Eu posso até não saber o que eu quero, mas definir o que não me serve já é um grande avanço.

 

Capítulo 1. Meu primeiro amor.

Matheus, o mineiro.

O primeiro homem de quem eu gostei, tinha 5 anos. Muita gente nem acredita, mas com cinco anos, eu amei. Eu chorei e sofri muito por um garotinho da escola.

Nós morávamos no interior de Minas Gerais, estudávamos juntos. Ele, por sua vez, paquerava uma coleguinha minha, Maria Luiza.

Cabelos longos, sedosos e cor de caramelo, Maria Luiza tinha uma pele branca e alguns sinais delicados em seu rosto. Quando sorria iluminava tudo. Linda. Como uma rosa delicada em um jardim.

Eu devia ser a grama do jardim. Espalhada como sou até hoje. Amiga de todo mundo, sempre por dentro do que se passava com todos. E como toda grama, mesmo as que possuem plaquinha, pisaram em mim. Matheus foi o primeiro.

Maria Luiza era tímida, eu costuma brincar no quintal de sua casa. Na casa dele também. Matheus. Olhos claros e imponentes. Cabelos sempre cheirosos. Sorriso sapeca. Convidativo.

Numa das vezes em que estive na casa dele, estava apertada para ir ao banheiro, mas não queria me afastar, segurei firme até a hora de ir embora. No caminho de casa fiz xixi nas calças. Que vergonha sinto ao lembrar-me disso. Não podia, desgraçada, afastar do menino por 3 minutos e esvaziar a bexiga?

Matheus. Era o nome que eu gritava todo mês de junho. Chorava e IMPLORAVA para minha mãe ligar pra dele e pedir que ele dançasse quadrilha comigo. Era o meu sonho.

Mas, como sempre, quem era o par dele? Maria Luiza. Pré – definido. Como pão com manteiga, eles combinavam mesmo.

Foi nessa idade que eu descobri meu talento pra cartas. Eu mal sabia o abêcê, mas expressar sentimentos, sempre foi comigo, caprichava nas letras gigantes e corações arredondados.

Quer saber? Tenho até hoje uma delas.

17 anos se passaram. E se eu fechar os olhos. Lembro da noite que passei em claro, pensando nele. Eu chorei e decidi não mais amá-lo. Foi em vão. O primeiro diário em folhas rosa e cheiro de chiclete tinha seu nome do começo ao fim.

Matheus. Está gravado.

Essa semana o reencontrei no Orkut. Bendita tecnologia. Trouxe de volta minha primeira dor de amor.

Cresceu bem. Que saúde. Está lindo de dar orgulho. Comecei bem meus trabalhos nessa área, hein?

Adicionado no Orkut. Mas, não nos falamos.

Matheus é mais uma das minhas cheirosas lembranças da infância. É  o protagonista do meu primeiro capítulo.

Capítulo 2. André. O primeiro amor alagoano.

Com dez anos de idade, já morando em Maceió, veio o segundo e breve capítulo.

André tinha olhos claros como Mateus. Eram até, ligeiramente, (quase nada) parecidos.

Eu tenho uma facilidade em confundir sentimentos. Saio me apaixonando por qualquer um, às vezes, e só percebo depois. Esse é um dos casos. Quanta tinta de caneta e punho foi desperdiçado em cartas para esse André. Nada muito atrativo, mas, mesmo assim, me pisou feito grama.

O lado bom desse capítulo é a novidade de alguém me querer.

Harley. Primo do André. Gostou de mim. Foi o primeiro garoto que enxergou algo encantador nessa graminha verde e imatura. Ele me deu um ursinho lindo. Não tenho mais. Não dei muito valor.

Mas o desfecho do capítulo 2, está no personagem 3.

Heverton. Irmão do Harley que era primo do André.

Gostou de mim, também. Moleque “safo”. Rápido e astuto. Quando descobriu que eu estava indo embora de Maceió, tratou logo de ser O MEU PRIMEIRO BEIJO.

Tínhamos dez anos. Foi na porta da minha casa, estávamos nós dois e a bicicleta, nada charmosa, dele. Foi bom. E foi de língua. ¬¬

Sem muitas lembranças deles, foi rápido. Um ano e meio foi o tempo que durou a história com os três. E juntos, merecem um só capítulo.

Capítulo 3. Amor de primo nunca morre! Será?!

 

O caso mais sofrido e que merecia um blog só pra ele.

Foram 7 anos da minha vida, perdidamente apaixonada por esse homem.

Neste caso vou resguardar o nome dele, apesar de todo mundo saber. Ele me humilhou publicamente.

Eu ainda tinha dez anos e sempre o achei lindo, o olhava diferente quando estava na cidade, durante as férias, mas foi com dez anos que meu coração resolveu gamar no cidadão.

A parte quente da história é o sofrimento. Então, vamos aos trechos mais dolorosos dos sete anos.

Eu mandei em torno de 50 cartas pra ele, que um dia, simplesmente, juntou todas e jogou no pátio do colégio onde estudávamos.

Cidade do interior. Colégio de padre. Tinha 200 alunos, se muito tivesse. Ele jogou no pátio, bem na hora do recreio, onde todos brincavam.

Foi como um vírus. Rápido. Todo mundo pegou, leu, riu de mim, gritava versos das cartas. Professores, coordenadores, alunos, zelador, o dono da cantina. TODOS.

As confissões mais íntimas, as maiores declarações, agora, eram públicas.

Continuei brincando, como se não fosse comigo. Só em casa eu fui ao chão. Eu chorei, mas eu chorei MUITO, incontrolavelmente. Como sofri.

Depois de todo mundo saber do meu mais íntimo sentimento por ele, nada mais me envergonhava. Não sei como, mas passei a gostar cada vez mais.

Outro dia, mandei uma carta para a rádio da cidade. Teve uma época que virou moda ligar e pedir música para os amigos, todo mundo do colégio escutava aquele programa. E eu (juro gente, não sei por que eu fui assim) mandei uma última carta para a rádio, dessa vez não foi só o colégio que soube, foi a cidade. Inclusive, nossa família.

Ele me esnobava mais ainda.

Todo tipo de humilhação e desprezo eu sofri nesses sete anos.

Em outras épocas, já maior, ele paquerava minhas amigas. Ficava com elas, que sabiam da minha paixão platônica, mas faziam questão de me contar em detalhes.

Eu ouvia sobre o beijo, os carinhos, as conversas. Eu ouvia calada. Nunca digeri. Tenho o rosto de cada uma delas gravado na memória. Admito, tenho raiva. Mas eu nunca fiz nada.

Outra vez, ele ficava com uma “colega” minha e ela pediu que eu entregasse a ele uma cesta. Eram chocolates, cartas, ursinho de pelúcia, corações. Eu viajei com a cesta no colo, foram três horas olhando pra tudo e me sentindo um nada.

Nenhuma reação. Era um amor cego, burro. Eu o desejava tanto, com todas as minhas forças.

Tenho diários sobre ele, não era normal. Eu o idolatrava demais.

Colei moedas que ele me deu, colei papel de bala. Colei, inclusive, balas que as formigas devoraram em meu diário colorido de amor não correspondido.

Sete anos de amor publicamente declarado. De humilhações de todos os tipos.

Foi com ele que aprendi o que é sofrer de verdade. Depois disso, tudo era leve, nada mais me abalou tanto. Até hoje.

E hoje, 5 anos depois de ter deixado de “amá-lo” eu concluo que todas as lágrimas que eu podia derramar por um homem, se foram com ele. Depois disso, não baixei mais minha cabeça por ninguém que não goste de mim. Não me tornei dura, mas foram sete anos gastando todo sofrimento. E hoje não há mais espaço para esse tipo de dor.

Dos 10 aos 17 – louca paixão.

Logo após veio o esquecimento, adormecimento. O assunto virou piada pra mim.

2010.

 O protagonista do capítulo 3 reaparece. Dessa vez, o jogo tem novas regras.

(…)

Capítulo 4. Flávio quer Val que quer Silvio que não quer ninguém.

A prova dos nove.

 

Neste capítulo chega ao fim todo meu sofrimento por amor. Que se divide em dois garotos. Dois sentimentos.

Um deles, Flávio, gostava de mim. Que, por vez, sempre do contrário, gostava do irmão dele.

Eu tinha 12 anos e estudava com Flávio. Um dia seu irmão bateu em minha porta com um amigo deles pra dizer que Flávio estava apaixonado. E eu ali, em pé, ouvindo calada e pensando: “E eu estou apaixonada por você, e agora?”

Éramos crianças, mas os sentimentos tiveram forte repercussão.

De um lado, Flávio. Que começou sua paquera na terceira série e conseguiu ser o meu segundo beijo, 3 anos depois. Nunca gostei dele, pra ser bem sincera. Mas sempre tive uma amizade fora do comum. Como o beijei? Ele usou o truque da camisa azul marinho e perfume bom. Me tirou pra dançar e no embalo, ficamos.

Um ano depois, eu estava me despedindo da cidade. Tenho até hoje a cartinha dele, que diz mais ou menos assim: “Gosto de você desde a terceira série, mas acho que você nunca soube…” Sabia. Mas preferia fingir que não.

Do lado oposto estava Silvinho, seu irmão. Que nunca me deu um real de valor hahahahaha

Era paixãozinha de menina, que olha e suspira, sabe?

9 anos depois, nos reencontramos por internet e ficamos alguns meses conversando muito. Acho que me apaixonei novamente. Ele não era mais aquele menino lindo da infância. Era melhor. Lindo, inteligente e tipo meu tipo. Que tentação.

O tipo de pessoa que me faria ficar hooooras conversando, sem a mínima vontade de dizer adeus. O tipo de pessoa que não me quer.  Em 2009, a mesma conclusão de 2000: Paixão não correspondida.

Ele sumiu novamente. Está namorando, noivo, eu acho. Nem como amigo tenho mais.

É o “oito de maio” (tive três paixões taurinas do mesmo dia de nascimento) que nunca beijei, mas que, confesso, mexe comigo até hoje.

Enquanto Silvinho seguia sua vida sem me dar espaço, seu irmão, muito espaçoso, chegou junto mais uma vez. Nove anos depois, estava ele de perfume bom e camiseta branca, me seduzindo novamente hahahahaha

Dois solteiros carentes, misturando amizade com algumas cores. Foi assim que ficamos mais umas cinco vezes, até chegar a conclusão que nascemos mesmo para ser amigos, mas que em 2018 (passados mais nove anos) talvez possamos comemorar nossa amizade de um jeito diferente.

Silvio foi o último homem de quem gostei e não fui correspondida. Chega ao fim o sofrimento por amores. Daqui pra frente. Mais alegrias.

Capítulo 5. O dentista.

 

Casar ou comprar uma bicicleta?

Não é trocadilho porque ele é meu dentista, mas esse é o homem que mais me fez sorrir.

E se o capítulo 3 me fez sofrer tudo que há pra sofrer por um homem, o capítulo 5 sofreu tudo que um homem pode sofrer por mim.

Foi com ele que gastei toda minha insegurança. Todo meu ciúme doentio. Todas as paranóias e infantilidades.

E se você pensou que eu nunca assumiria isso, (porque eu sei que você me lê, mais do que todos, você conhece minhas entrelinhas) se enganou. Pois não só assumo, como faço questão de gritar em alto e bom som que eu fiz você sofrer. Mas eu te fiz feliz, vou logo deixar claro, antes que eu saia do papel de vítima (que eu adoro) no meu próprio blog.

Na ordem dos acontecimentos.

Nos conhecemos pela internet eu tinha 16 anos e ele 23.

Se eu pudesse definir esse homem em uma palavra seria: paciente. Superou o fato do meu irmão mais velho passar UM ANO sem dizer nem sequer boa noite quando chegava em casa e ele estava lá. Superou minhas desconfianças, inseguranças. Provou pra todos que me amava.

Provou a mim que um homem pode ser fiel (ou pelo menos trair tão perfeitamente – o fato de cogitar isso, quer dizer que ele não me convenceu? Ok. Acho que até hoje não acredito em homens fiéis. Em outra vida devo ter sido muito traída, ou é o medo.. enfim.)

Foi o homem que me ensinou tudo. Inclusive a me conhecer melhor.

Do tipo que manda café na cama, flores sem data especial. Do tipo que vai ao centro e volta com um presentinho porque se lembrou de você. Do tipo que compõe música pra namorada e toca violão olhando nos olhos. Um homem de verdade, do tipo que toda mulher sonha em ter e que nem em um texto sem fim eu conseguiria definir.

Foram 5 anos de namoro e muita história pra contar.

Passamos por uma crise, que até hoje não sei por que começou. Acho que aquele papo de rotina unido ao ciúme exagerado de ambas as partes. Acabamos. Resumindo o que senti: Liberdade. Porque nós éramos dois malucos ciumentos e além de termos nos afastados de todos os amigos, eu me sentia mal de estar perto de outros homens, com medo dele não gostar (doentio mesmo). Eu voltei a sair, conversar com quem eu queria, adicionar as pessoas no MSN sem medo. Rever meus amigos. Eu voltei a ser a Val, livre. E essa sensação, eu não quero perder nunca mais.

Ele também deve ter se sentido aliviado. Apesar de não sair muito, deve ter curtido a sensação de não ser preso. Porque eu não era ciumenta, eu era possessiva.

Passei dois meses livre em São Paulo e quando voltei, conversamos e acabamos definitivamente. Disse coisas que me arrependo até hoje. E foi nesse momento que aprendi a nunca ser cruel com as pessoas, que aprendi que palavras podem ferir e humilhar pessoas. E desse momento, eu me arrependo até hoje.

Passados sete meses do nosso fim, e depois de encarar pessoas chateadas e até sem falar comigo porque não voltei com ele. Depois de encarar minhas amigas me chamando de imbecil por não estar com esse homem maravilhoso e de sofrer uma super lavagem cerebral, resolvi voltar.

Eu amei esse cara por 5 anos, ele é tudo que uma mulher quer. O que estou fazendo longe dele? Pensei. Voltei.

Não fazia sentido voltar pra namorar, já nos conhecíamos demais. Era hora de se preparar pra casar. Foi resolvido assim. Em uma conversa.

Contei a todos da família que eu iria casar em um ano. E deu-se início a um capítulo engraçado da história.

Estávamos em São Paulo, novamente eu passei dois meses lá. Mas agora, sendo treinada pra casar. Isso mesmo. Meu avô me acordava todos os dias cedo, me colocava para cozinhar, me dizia que eu tinha que fazer o café do meu esposo e conversava todos os dias comigo sobre casamento. Uma espécie de curso prático de como ser uma boa mulher. Curso lecionado por um barão de Araruna. (Imaginem!)

Enquanto isso, em Maceió, o pobre do meu irmão teve que encontrar um apartamento legal, em uma semana, porque meu avô, assim como eu, é afobado. E queria ver tudo pronto.

A minha sorte é que não cheguei a comprar os móveis. Porque alianças e apartamento não perdem valor. Mas se eu tivesse tirado os móveis da loja, estaria em crise até hoje.

Por fim, em um mês, já tinha o apartamento, as alianças, a festa na praia planejada, a lista de convidados, enxoval e tudo que uma noiva precisa.

Mas em uma semana tudo se desfez novamente.

“Ele me abandonou no altar”. Gosto de contar assim porque tem mais peso como drama. Eu adoro dramas. hahahahaha

Apesar de ficar chateado quando eu digo isso, ele sabe que eu entendo perfeitamente tudo que aconteceu. Aliás, que não aconteceu.

Mas foi ele que deu pra trás, sim. Porque por mim, teríamos nos casado (e nos separado meses depois). Como um homem maduro e ciente de que eu não sabia o que estava fazendo, Ele pulou fora do meu barco furado e hoje eu o admiro ainda mais por isso. Porque eu não estava, aos 21 anos, preparada pra casar.

Foi assim que se deu o nosso segundo fim.

E dessa vez eu coloquei a culpa nele, ninguém mais me encheU o saco pra voltar o namoro.

Juro que não fiz por maldade, mas é melhor sair de abandonada, do que de vilã cruel. Pelo menos assim, ninguém diz que sou uma sem coração.

As pessoas mais próximas sabem da história em detalhes, essas torcem para que nos casemos. E vai e vem, ouço a mesma ladainha: “Você ainda vai se casar com o Marcos”.

Não posso me casar com ele, gente. Sou ligada em voltagem diferente. O Quinho é um cd para relaxar, eu sou um repertório agitado. Se eu sou caseira, ele é dez vezes mais.

Passo meus dias de vida, inventando coisas, imaginando, criando, viajando, me iludindo, sonhando. Ele passa seus dias trabalhando, com o pé no chão, com o queixo erguido, sem muitas aventuras, sem muitas novidades.

Eu prefiro a corda bamba entre o ódio e o amor. E misturar os dois. Dar emoção, sentir ter medo de perder alguém. (Ficou bonito de ler, mas é mentira, só disse isso porque não gosto de ninguém. Uma mulher que ama odeia o medo de perder.)

Voltando ao meu ex futuro marido…

Tentativas de amizade não faltaram nos dois anos que se seguiram, mas sempre acabava em romance. Nunca pensei que fosse tão difícil ser amiga de ex sem misturar as coisas.

Mas acho que entre uma consulta e outra, pois ele ainda é meu dentista, conseguimos o equilíbrio. Nem tão perto para dar choque, nem tão longe para se apagar. E seguimos assim, com nossa história sem ponto final.

Ele é o homem que toda mulher precisa e deseja. E podem ter certeza, eu também me pergunto todo dia porque não estou com ele.

Capítulo 6. Contraste.

 

Ele parece ser mais legal, pela foto, né? hahahaha

Tem texto dele por aqui. Com traste.

Eu ainda não posso contar essa história. Quero terminá-la primeiro e escrever por completo. Mas esse foi o primeiro que beijei, após 5 anos com o capítulo 5.

De 2008 até 2010 uma história sem começo meio e fim, mas um dia.. organizo tudo e vos apresento o meu amante hahahahha

Cap. 7 O pernambucano que morava em Alagoas, mas conheci em São Paulo antes dele ir morar em Goiânia.

 

É. O cigano ai me pegou desprevenida. Porque eu nunca imaginei que ficaria com ele, mas tudo bem.

Nos conhecemos em SP, quando eu fui para um congresso. Ele era amigo, da amiga da minha amiga. Confusões de parentesco à parte. Saímos pra balada e eu achei que ele era gay. Sei lá, tanta mulher bonita nas baladas de Sampa e ele tão na dele, nem aí pra nada. Achei mesmo que essa coca era fanta e disse a ele, meses depois. :o

Eu voltei pra Maceió e dois meses depois ele veio passar as férias por aqui. Chegou tão homem, me mandando umas mensagens.. Ui. Hahahaha mulher adora mensagens.

Nós desenvolvemos um tipo raro de amizade, e no meio de tudo, ficamos. Eu não queria me envolver com ninguém e deixei isso bem claro. Tão claro que ele me ligou no outro dia pra dizer que ia voltar com a ex, mas que foi muito bom ficar comigo.

“Hã?! Ow seu filho da puta, e porque ficou comigo ontem? Sacaninha vc, hein? É, vamos pra frente, tentar continuar essa amizade maluca. Seja Feliz com ela”.

Nos afastamos um pouco, mas sempre mantendo contato. 3 meses depois surge ele com dor de cotovelo, porque foi traído, deixado, alguma coisa desse tipo.

Depois de fazer muitas piadas com a cara dele, confessei que minha vida amorosa nçao estava exemplar. Deu-se início uma jornada de muitas conversas, até ele me pedir em namoro virtual.

Eu estava carente, mas namoro virtual é meio desesperador, né?!

Brincadeirinha pra lá e pra cá. Ele disse que eu não tinha coragem de ir até lá em GYN dar um beijo nele

Eu? Não ter coragem?

No outro dia comprei as passagens, arrumei um congresso e fui pra Goiânia estudar. O caso dele! =D

Fiquei por lá uma semana, me apaixonei. Não por ele. Pela mãe e irmã dele. Tããão ótimas. Adorei. Foi muito divertido, mas apesar da química, eu não em via muito com ele.

Enfim, voltei pra Maceió. Depois voltei pra São Paulo. Foi minha vez de lançar o desafio. Você não vem pra São Paulo passar o fim de semana comigo. Vem?

Ele foi. Pegou um ônibus. 15 horas pra chegar lá, 15 horas pra voltar pra Goiânia. Ou seja; ele ficou 30 horas no ônibus pra passar menos de 24 horas comigo. Achei uma gracinha. =D

Nessas 24 horas não paramos. O levei em vários museus, parques, passeamos MUITO e a noite fomos pra casa de uma amiga, reunimos quatro alagoanos e comemoramos o são João, sem figueira, sem bandeirinha, mas com forró da Eliane. Hahahaha Boas lembranças.

Foi a última vez que nos vimos.

Passados mais alguns meses, ele começou a namorar.. e deixou de falar comigo. Nçao entendo porque, mas deixou. Apagou nossas fotos inocentes do Orkut, meu depoimento.. enfim, deletou a tia Val da vida dele.

Mas as nossas lembranças, essas, ele nunca vai conseguir deletar ;)

Capítulo 8. O publicitário.

 

Meu amigo há sete anos. Até hoje não entendo como “namoramos”, mas foi real.  Como um amor de verão. Curto, intenso e marcante.

Fizemos uma viagem. Um congresso em Salvador. Estávamos em um grupo de nove pessoas e eu me diverti a cota de um ano inteiro. Foi muito bom.

Foi nessa viagem que o axé da Bahia despertou o desejo dele pela neguinha aqui. Hahahahaha

Muitas coisas me impediam de ficar com ele, e nem vou listar pra não escrever o livro de uma vez, mas eram muitas. Só que parece que quando não pode, tem mais graça, né?

Fiquei com ele. Fiquei, fiquei. Ae veio o pedido em namoro.

Eu não aceitei e ele mostrou que a faculdade serviu pra alguma coisa. Me persuadiu. Argumentou fortemente que eu nem tinha tentado, nunca tinha ficado com ele sem ser no meio da galera, que nunca tínhamos conversado com carinho sobre “nós”.

Eu estava sem fazer nada, ele também, né? Aceitei.

Um mês depois, eu aind ame perguntava: O que estou fazendo aqui?!

Chamei o sujeito pra conversar.

“Val, não quero conversar hoje” (já adivinhando o que seria)

“E quer conversar quando, rapaz?”

“O mais tarde possível, o máximo que puder adiar.”

Eu ria, achava graça a paciência dele comigo e minha relutância.

Adiei por 5 meses. E vou confessar que o pentelho aí, despertou em mim coisas muito boas.

Além de me tratar como uma rainha, ele me ensinou muitas coisas boas. Do tipo:

O que não quero em um namorado. Como não ser tão exigente. Como aproveitar mais a vida. Como cometer loucuras. Entre outras tantas coisas que vivemos em cinco meses.

Foi muito bom, mas a amizade é melhor. Combina muito mais.

Acabamos em abril e só nos vimos novamente em setembro. E o reencontro foi como se nunca tivéssemos namorado. Segundo ele, o coração bateu forte, mas dou desconto ao exagero, pois ele, como eu, adora um drama.

Capítulo 9. Amigos são pra essas coisas.

 

Eu sempre me dei bem com os homens. Adoro os papos deles e tenho uma curiosidade enorme em desvendar o que passa em suas cabeças. Nas duas. hahahaha

Ficou claro em todos os textos que eu adoro um amigo. Pois é. Eu não fico com meus amigos, eu faço amizade com quem eu quero ficar. É diferente.

Eu não vou fazer um capítulo por amigo, mas vou listar os que marcaram história:

Rafael. Estudou comigo no colégio. E a primeira vez que ele ficou com uma menina, foi comigo. Era para eu ser a experiente da história, mas acabei me apaixonando. As lembranças que tenho dele são boas.

André. Nós somos amigos há dez anos. E antes de namorar por cinco anos, passei um tempo ficando com o André. Eu não me lembro quantas vezes, nem exatamente quando, mas sei que era na minha porta, quando ainda era seguro ficar conversando sentado na calçada. E eu lembro, também, que eu tomei a iniciativa.

Passados uns sete anos depois que ficamos, nós nos reencontramos. E eu quase ia ter a iniciativa de novo, mas me contive hahahaha ele cresceu um hominho. É lindo e um homem de verdade. Nos falamos até hoje. Mas a amizade é preto e branca.

Thiago.

 Ele foi meu parzinho na feira das nações no Santa Úrsula. Eu o paquerava em segredo. (em segredo, eu? Pois é. As vezes consigo guardar minhas coisas). Ele foi embora para o Rio. E só tivemos contato novamente, 8 anos depois. Agora ele é um homem, lindo e simpático. O maior leitor do meu blog. Exigente, quer um texto por dia. Sabe elogiar como ninguém e quando ele abre a boca, meu ego já foi lá em cima.

Não posso negar que muitas vezes me vi cogitando a possibilidade de mais uma ponte aérea na minha vida, mas depois de São Paulo e Goiânia não sei se meu forte são relacionamentos distantes. Desisti.

Mentira. Desisti porque ele tem namorada. E eu vou seguindo por aqui, dando conselhos amorosos. Recebendo todo dia seus elogios sobre meus textos e suas cobranças nos dias que eu não escrevo. Pode não ter nada comigo, mas é um dos poucos que me faz sentir amada.

Anônimo.

Não posso revelar o nome dele, mas é o dono do texto: O SABOR DO BEIJO QUE NÃO DEI. Pois é. Nunca fiquei com ele, mas foi por falta de coragem, não de vontade. Agora ele está noivo e vai casar em 2011. Às vezes brinco que ainda tenho tempo, mas não passa disso. Amigo é pra essas coisas, mas coisas certas, né?! =D Que ele seja feliz. Merece demais. Amigo, amo você. =*

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