Quando eu tinha 13 anos, me apaixonei por um cara mais velho (o primeiro de um legado deles). Moreno, olhos marcantes e sobrancelha definida. Poucas coisas ficaram tão bem gravadas em minha memória como aquele olhar. Como todos os homens que passam por mim, esse tinha data para reaparecer, mas não achei que demoraria tanto.
10 anos. Uma década. 120 meses. Cerca de 3.650 dias ou 87.600 horas. Esse foi o tempo que dividiu nosso último olhar do sorriso que trocamos hoje. Na época, ele me disse ter 25 anos, mas hoje descobri que tinha 29. Pois é, bem mais maduro do que parecia, do que me dizia. =x Hoje, com 39, parecia assustado comigo. É, já entendi que assusto muitos homens, mas foi, no mínimo, engraçado ver de pertinho as expressões dele.
Para resumir o reencontro…
Estou no interior onde nasci, e entre o lanche e papo com os primos, relembrei minha história com o sujeito e desejei o ver novamente. Perguntar o que aconteceu, exatamente. Desejei muito, com muita força, falei nele durante um bom tempo. E quando saímos da lanchonete, lá estava. Eu sei que em interior não é bem difícil acontecer qualquer tipo de encontro, mas prefiro acreditar na força da minha mente e como sempre consigo o que quero através dela.
Não tive a menor dúvida. Parar o carro e chamar por ele era fato. Só não sabia muito o que dizer, problema que resolvo fácil.
_Lembra de mim?
_ Não sei. Não estou conseguindo…
_ Tudo bem, afinal são 10 anos.
_Dez anos?
_É. Há dez anos eu tinha 13, me apaixonei por você. Lembra?
_Ainda não.
_Você foi meu primeiro beijo. (Minto, pra dramatizar) Apaixonada por um cara mais velho, até que minha família descobriu e você sumiu de mim.
_Sério? Não lembro, juro.
_Talvez lembre do meu avô..
_Noooossa! Lembro. (Mão na cabeça e olhos visivelmente assustados.)
Eu bem desconfiava que alguém tinha mandado um recado pra ele.
Incrível como não se lembrava do meu beijo, (sempre me achei tão inesquecível) mas lembrava perfeitamente do meu avô e de como ele o fez se afastar de mim temeroso. Na época, achei um exagero da minha família. Poxa, eu sabia me defender aos treze. :p E hoje eu me pergunto que audácia minha.
O ver tocando em cima de um trio e desejar que ele fosse meu. Conseguir descobrir nome e número de telefone e simplesmente ligar, como se fosse uma decisão que se faz em padaria. É esse que eu quero, embrulha pra viagem. Decisão rápida e concisa, assim como aquela de parar o carro pra falar com ele dez anos depois.
Foram 15, no máximo 20 minutos ali, em pé. Relembrando e atualizando os fatos que separaram nossas vidas.
Desculpa, pode parecer prepotência, mas não há nada que mexa mais com uma mulher do que o olhar de um homem a desejando. E eu não precisei me esforçar pra perceber. Logo surgiu o convite, e o pedido pelo número do meu telefone.
_Não vamos mexer mais com isso. Eu nunca estou por aqui, nem você por lá, nem assunto temos
. _Eu não quero perder contato com você. Foi tão.. tão diferente te encontrar.
(E o ego nem pede licença pra inflar)
Hesito em dar o número correto. Não quero que ele me ligue, mas optei por não mentir. Ele liga na mesma hora, pra garantir, não sei o que, mas parecia se sentir mais seguro agora.
Consigo perceber os fios grisalhos escapando. Nossa, ele já tem 39 anos. Não mudou muita coisa. E eu com 23, cheia de novas histórias de amor mal resolvidas. Desculpa, mas se tem uma coisa que não posso prometer é que algum homem seja marcante e exclusivo na minha vida. Porque tudo que vem, incrivelmente se torna novela. (…)
Recuso o convite. Nos despedimos carinhosamente. Entro no carro. (gritinhos atônitos das primas que nunca acreditam na minha capacidade – ou loucura – de trazer sempre um passado à tona.)
Apresso-me em contar. Rimos.
Agora estou na fazenda. Escuro e silêncio.. escrevo sem ler, sem pensar, sem poetizar. Imagino minhas amigas ouvindo com atenção mais uma das minhas histórias de amores passados. Não é um texto para o blog, é um desabafo. Público, mas é.
O celular toca. Decido não atender.
Uma das coisas que aprendi no último curso de Redação que fiz, foi que se eu souber o que não devo escrever, já é um grande passo pra escrever bem. Achei interessante, resolvi adotar em outros sentidos.
Eu posso até não saber o que eu quero, mas definir o que não me serve já é um grande avanço.











