Pra te acalmar

Eu pensei em não escrever nada enquanto estivesse sentido, porque a melhor análise é feita quando estamos sóbrios e eu ainda ando embriagada. Mas recebi a seguinte mensagem, agora: “se eu tivesse 10% da sua segurança, certamente seria mais feliz”.

E só para dar uma palavra de conforto a uma amiga que precisa, eu vou escrever. Para que ela saiba que, nem a mais segura e decidida das mulheres pode lutar contra as questões do coração. Para que ela saiba que já me meti em encrencas, mas sobrevivi, nem que tenha sido só para hoje estar aqui, dando meu depoimento como uma pseudoentendida de amor.

Não é preciso ser um grande gênio para admitir que quando estamos apaixonados, o resto pouco importa. Como diz o velho ditado: “Um peixe e um pássaro podem até se apaixonar. Mas vão morar onde?” Eu não quis saber disso, guardei minhas asas e mergulhei de cabeça. Claro, deixei de ser um passarinho livre e inevitavelmente, morri sem fôlego.

Acabo de ler um livro da Elizabeth Gilbert que trouxe as definições de Freud e Goethe sobre paixão, mas por mais que eu leia, e quanto mais eu me especializo no assunto, menos eu entendo.

Pois bem, Freud definiu a paixão sucintamente como “supervalorização do objeto”. Goethe explicou ainda melhor: “Quando duas pessoas ficam realmente felizes uma com a outra, em geral podemos supor que estão enganadas”. Aliás, pobre Goethe! Nem ele foi imune à paixão, nem com toda sua sabedoria e experiência. Esse alemão velho e firme, aos 71 anos, apaixonou-se pela inadequadíssima Ulrike, uma beldade de 19 anos que recusou as suas propostas ardentes de casamento, deixando o gênio envelhecido tão desolado que escreveu um réquiem à vida, concluindo com os versos “perdi o mundo inteiro, perdi a mim”.

Pois quem sou eu para querer controlar os sentimentos, para impedir que me apaixone, mesmo que seja pela pessoa errada? Eu quero mais é sofrer de amor, sofrer seja lá por quem for.

E se esse coração hoje está partido, significa que tentou algo novo.  As sensações mais extasiantes que já tive na vida, surgiram quando me consumia na obsessão romântica.

Amiga, fico contente em te ver tendo essa oportunidade de provar esse êxtase narcótico da paixão, mas também fico contentíssima porque, desta vez, não é comigo.

Mas, Ó: Ter o coração partido é bom. Na índia, só a título de informação, 3 de maio é o Dia Nacional do Coração Partido. Se em maio você estiver sofrendo, eu topo ir comemorar contigo lá (falo sério).

Eu não costumo aconselhar pessoas apaixonadas, pelo menos quando acontece comigo, sabedoria e prudência nunca são convidadas. Então te deixo viver, inclusive os momentos de dor. Porque mesmo que você tente evitar, a paixão vai fazer cinzas do seu sacrifício pessoal.

E não esqueça que estarei aqui, com minha fiel empatia pelos sofredores.

Amiga, quando casar passa. (Leia 10 vezes essa frase, leia pensando nos meus olhos, leia e entenda o que eu quero te dizer).

7 Respostas para “Pra te acalmar”

  1. Mari diz:

    “Então te deixo viver, inclusive osso momentos de dor.” Só isso! Hahahahahaha

  2. Wal diz:

    Amiga…kkkkkkk
    O texto é PERFEITO!!
    Nem preciso comentar mais nada,acho… =]

    Preciso te divulgar pro mundo,vc é única!!

    Amo.
    Bjosss

  3. Isabella Ramiro diz:

    Ainda bem que você sempre volta! Show!

  4. Isabella R. diz:

    Eu sempre volto também :)


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