E quanto mais ele parecia se apegar a mim, mais eu me desligava, até chegar a um ponto em que mal conseguia respirar perto dele.
Sentia-me sufocada por tanta adulação, estrangulada por tanta admiração.
Foram os carinhos dele que provavelmente me deixaram louca.
Seus sorrisos suaves, seus olhares suaves, seus beijos suaves, suas carícias suaves, tanta suavidade era um pesadelo. E ele era todo grudento comigo. Senhor Grude, eu não aguentava mais! A todo lugar que íamos, ele segurava a minha mão, orgulhosamente me exibindo como “sua mulher”.
Quando estávamos no carro, ele plantava a mão na minha coxa; quando assistíamos televisão, ele só faltava subir em mim. Estava sempre pegando em mim, passando o dedo no meu braço, fazendo cafuné ou coçando minhas costas, até eu não aguentar mais e empurrá-lo para o lado.
“Homem-velcro” era como eu o chamava secretamente, depois de um tempo.
(Trecho do livro Casório!? página 13)











